sábado, 30 de junho de 2012

Quando um passado feliz é percebido


12h26min. Como em raras vezes, o ônibus chegava mais cedo. Quatro minutos antes do previsto e nove antes do normal. Peguei minha mala cor-de-rosa e entreguei pro cobrador que já nem me pergunta mais para onde vou. Afinal, já faz um ano e meio. Mala guardada, agora era só encarar uma pequena e lerda fila até a porta do ônibus. Desatenta em relação às coisas que me rodeavam, provavelmente pensando no final de semana, de repente minha atenção fixou-se na senhora de cabelo armado e sorriso largo que descia rápido demais do ônibus para ter a idade que eu acreditava que tinha. Os fios de seu cabelo loiro esbranquiçado contrastavam com sua roupa escura.
            Vi seus olhos brilharem ao encontrar algo na minha direção. Antes mesmo de eu conseguir virar para tentar descobrir mais um pouco a respeito daquela felicidade gostosa, uma pequena senhora de cabelos negros passou por mim. Seus passos curtos eram recompensados por uma rapidez tão adolescente que me confundia. Tenho certeza que se ela tivesse algo em mãos, teria atirado para qualquer lado ao encontrar a dona dos cabelos brancos e sorriso largo. As duas se abraçaram de um modo que eu, mesmo sem saber ao certo a ligação que possuem, sorrisse feito uma boba. Um abraço tão amigável, um sentimento de irmandade que poderia ser sentido até mesmo pelo coração mais frio e inconstante. 
            Enquanto a loira alta abraçava a morena baixa, fiquei as observando e quase como num filme, consegui imaginar as duas, cinquenta anos mais novas, se abraçando ao passarem no vestibular ou comemorando o aniversário de 15 anos. Sei lá, mesmo sem saber, eu sentia que aquelas duas idosas de almas tão jovens, viveram muito tempo juntas quando adolescentes. Podia perceber que aquele carinho perceptível era fruto de anos de convivência. As duas se conheciam de verdade. No sentido de saber tudo à respeito mesmo. Com certeza, cada uma delas sabe o primeiro amor que a outra teve. O primeiro beijo que levou e as lutas que passou naquela fase divertida e confusa que chamamos de adolescência.
            Aquela irmandade percebida, me fez pensar nas minhas amigas e no quanto as quero perto de mim no meu futuro. Quero ter ao meu lado, quando estiver judiada pelos anos, pessoas que saibam o que passei e me entendam como ninguém. É uma sensação rara perceber afetos que sobrevivem há uma vida toda.  E perceber isso, me dá ainda mais vontade de cuidar daqueles que tenho ao meu lado e guardo em meu coração.
            As duas ainda se abraçavam, balançando-se para os lados, quando escutei uma voz agradável pedir: “Sua passagem, moça”. Tirei os olhos da cena das amigas saudosas, e virei na direção de onde o som vinha. Enxerguei a pupila do senhor que me pedia o bilhete, segurado firmemente pelas minhas mãos. O entreguei, ele fez o que tinha que fazer, e disse: “Paraíso então... Vai com Deus, minha menina”. Eu agradeci e pedi em oração para que não apenas eu fosse com Deus, mas também ele, as senhoras que tiveram um passado feliz e todos aqueles que cuidam das relações do presente pensando nas mesmas no futuro.
            

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Voltarei


Uma disciplina chamada Jornalismo Impresso I. O motivo do meu desaparecimento daqui, meu amado blog. Uma agência experimental para futuros comunicadores: outro aspecto que me fez ignorar isso aqui. Mas hoje, quando percebo que estou em uma aula onde uma “festinha” irá ocorrer, percebo que as férias estão mais próximas do que eu imaginava.
            O vento norte bate nas folhas lá fora. Entre a voz grossa do professor concentrado nas fotos apresentadas e o discreto barulho dos alunos felizes ao perceber que sobreviveram há outro semestre, me percebo sorrindo – mesmo que a rinite provocada pelo clima esteja mais intensa do que o normal.
            Prometo me dedicar mais ao meu diário virtual. Assim como me sinto culpada por ter deixado livros “dormindo” enquanto lutava para viver em mais um semestre de Jornalismo, também me sinto mal quando percebo a escassez de postagens nesse blog.
            Férias, livros, textos, minha vida simples, quero vocês. E terei praticamente um mês para respirar meus gostos novamente.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Pelas lentes fotográficas de Kelly Schott

Tô aqui pra fazer algo que quase nunca faço: falar de algo que amei sem ser uma coisa da televisão, um livro ou um texto bacana. Venho comentar sobre as fotos que fiz. A responsável pelos cliques? Kelly Schott, 19 anos, minha amiga desde 2008 e acadêmica do 3º semestre de fotografia. Sim, isso mesmo! Ela está no 3º semestre e já fotografa e edita muito bem. Eu, pelo menos, adorei o resultado.





Para quem tiver interesse, falem com ela pelo face (https://www.facebook.com/Kelly.K.Schott) ou pelo twitter @Schott_Kelly.

O trabalho da loira pode ser conferido pela página no facebook: https://www.facebook.com/kellyschottphoto

sábado, 5 de maio de 2012

Sei lá, porque

Na verdade, não sei sobre o que vim escrever aqui. É, isso mesmo. Não tenho nada em mente, nada planejado, nem uma ideia, mas me tenho. Quando se tem um blog, não é obrigatório possuir criatividade e inovação, o mais importante, pelo menos para mim, é escrever com o coração.
E meu coração me trouxe até aqui, pelo mesmo motivo de sempre. "Não consegue explicar o que sente? Escreva!", ele sussurra. Escrever me liberta, me esclarece, me dá vida!
São 2:39 da madrugada e meu diário virtual suplica por uma postagem. Olho para meus olhos pelo reflexo do espelho, e eles não me dizem nada, apenas me olham cuidadosamente. Viro e pressiono minha cabeça contra o travesseiro. Nada. Meu cérebro não teve consequências, nem nada. Resolva colocar a mão no coração. Uma, duas, três batidas rápidas e constantes. Tiro a mão do peito e escuto de algum lugar: "É isso mesmo, estou orgulhosa".
A dona daquela voz apenas me confirmou o que todos já sabem. Para a pior das dores, a mais complicada confusão e/ou simplesmente para desabafar - mesmo que por linhas tortas - escrever é o ideal.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Palavras me viciam


E isso é ótimo, vai dizer que não? Não me interesso por drogas, jogos de azar ou bebidas extremamentes fortes. O meu negócio é com as palavras.
Sabe quando se ama escrever, mas não se têm mais tempo para isso? Ou, na verdade, é uma fase em que prefiro ler a passar para uma folha em branco, uma infinidade de pensamentos soltos.
Fico, por horas, a ler Tati Bernardi, Caio Fernando de Abreu e derivados. Será que ando tão confusa que tentar me explicar seria complicado demais? Ler e se encontrar naqueles textos, é realmente mais fácil.
Sempre gostei de me justificar. Dizer “gosto de marshmallows com sorvete”, não é suficiente. Preciso gritar aos quatro ventos que gosto por “me sentir saboreando pedaços de nuvens com recheio da melhor sobremesa do Universo”. Não basta dizer que gosto, preciso contar o porquê. É por esses, e outros motivos que possuo um blog.
“Palavras, palavras, apenas palavras, pequenas palavras”. Preciso discordar da Cássia Eller. As palavras têm um poder enorme, por menores que sejam. Ou você se esqueceu que existe a palavra “fé”?
Quando se está triste, alegre, confuso, doente, hiperativo, dramático, sem noção. Não importa! Escrever, ler e se apaixonar por cada letra, por cada linha, é uma forma incrível de se auto-remediar.  

terça-feira, 3 de abril de 2012

Era uma vez uma culpa boa

Eu me sentia culpada. Como não se sentir? Há um mês e dois dias não entrava em contato com meu mundo online. Logo eu. Apaixonada por escrever, sempre deixei claro o quanto meu blog é especial. Em 2009 me apaixonei por meu diário virtual, pois é lá, ou melhor, aqui, o lugar onde posso ser apenas coração.

A vida é complicada e muitas vezes é preciso usar a razão. Mas como quem me conhece sabe, gosto de verdade, gosto de emoção, gosto de viver e seguir minha intuição. Porém penso: tenho um grande motivo por ter me afastado. E esse motivo é uma paixão ainda maior. Um amor chamado Jornalismo.

Entre disciplinas da Universidade, trabalhos na Agência, livros e claro, matérias, me divido em cinco. Multiplico-me. Não estou nesse sonho apenas por estar. Se Deus me deu a chance de cursar uma paixão cuidada por mim desde a infância, não sou doida de deixar tudo isso rolar sem ter vivido. E vivo. Seria sem nexo tentar explicar o inexplicável. Não sei dizer o quanto amo, só sei dizer eu te amo jornalismo.

Ter me afastado daqui me traz culpa, mas sei, de verdade: é uma culpa boa e sem fim.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Eu gosto de gente de verdade

A verdade sobre Renata! 
Faço dessas palavras, as minhas.

"E ela quis viver o que tinha vontade a ficar fazendo ceninha pra ficar bem pro público. Deixou claro que sabia das consequências, mas preferiu ser ela mesma, fazer o que faria aqui fora. E isso é o oposto de ser falsa.

Falso é quem não põe pra fora, Renata pode ser tudo, mas com certeza é a mais honesta consigo mesma, faz o que bem entende sem medo dos julgamentos.
Sabe que será julgada e mostra-se pouco preocupada....

Acontece que muitas vezes não há como olhar para trás sem questionamentos, ou você irá se arrepender de algo que fez, ou de algo que deixou de fazer, ela escolheu fazer e acontecer sem deixar espaço para arrependimentos.

Dizer que concordamos com todas as suas atitudes? Não, mas os erros humanizam, não lhe tiram o título de princesa, pelo contrário, apenas acentuam, é chato o previsível, bacana é ser uma caixinha de surpresas ambulante. Você sabe o que esperar dela?

"Amar, mas amar mesmo de paixão, eu amo Renatcheeenha. Esse mundo pode ser mesmo como dizia a canção do James Brown, a Man's World: O mundo dos Homens... Mas são mulheeeres... Que movem o mundo! Mulheres que são assim como você, Renata Dávila!" (Pedro Bial)


Aos Falsos Moralistas, aquele abraço..."



Eu prefiro torcer pra quem é cheio de defeitos, do que para falsos que tentam agradar.
Desculpa sociedade, mas para mim.. é Renatcheeenha e Fael na final!


Fonte: embaixodoedredom.com

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Nada de magia

 Sou uma pessoa bastante confusa. Mas qual é a novidade nessa frase? O fato de ser tão previsível me faz alguém fácil de compreender, de ler, de identificar e até mesmo de enganar. Ok, enganar nem tanto mais, pois sofrer me ajudou a criar uma rede de proteção que detecta mentiras, falsidades e príncipes desencantados.
E por falar neles, qual o sentido da gente acreditar desde sempre na existência de caras que vão te fazer a pessoa mais feliz? De verdade, não espero mais nada. Já tenho pessoas que me fazem a garota mais contente da face da terra. E essas pessoas são minha família e meus amigos, aos quais também chamo de família.
Garota, ele te abandonou? Azar! Sim, azar! Se ele teve coragem de perder uma garota incrível como você, não merece tuas lágrimas.
Ele te traiu? Levante a cabeça, pois o melhor é não vê-lo e com a cabeça para o alto você nunca mais o verá, pois pessoas como ele estão abaixo dos teus pés.
E aí? Ele está inseguro e pediu um tempo? Dê um tempo, o tempo do infinito. Se ele tem dúvidas é porque é idiota demais para aguentar um relacionamento sério.
Vai chorar? Chore! Mas depois disso vá para frente do espelho, te valorize, coloque seu perfume favorito, passe um rímel, um batom e se ame. Não há amor mais fiel do que o amor próprio.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

BBB Doideira

Enfim, Big Brother Brasil 12 nem começou, e já teve duas desistências. E como sou muito “sortuda”, o primeiro a abandonar o barco foi o que menos tinha gostado e a segunda, a que mais me parecia legal.
Netinho e Fernanda, alegria ou pena?

Ronaldo entrou no lugar de Netinho, e com certeza, foi uma ótima troca. Netinho não parecia que iria acrescentar algo bacana ao programa. Já Ronaldo parece ser divertido, engraçado e que vai agitar nas festas. A figura que faltava.

Agora a troca de Fernanda por Fabiana, não sei não. É uma pena Fernanda ter desistido. Sei que ela não seria a mocinha que gosto de torcer, afinal, fiz a primeira impressão sem ter visto a chamada dela. Depois disso percebi que ela não era como eu pensava, mas que era essencial ao jogo. Sobre Fabiana não sei o que dizer, parece querer chamar a atenção demais, e eu não gosto disso.

Mas é isso aí, BBB começa hoje e torcemos para que Tio Bones coloque mais alguns participantes para dentro do jogo.

PS: Preciso perceber que BBB12 tenha mais pessoas do que essas 12, vou enlouquecer.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Lendo sobre si mesma, sem ter escrito

Sabe quando lemos uma coisa e parece que foi feita, especialmente, para si? Pois é, foi isso que senti. Bom, mas o que esperar de Caio Fernando de Abreu? Ele entende a alma feminina de maneira extraordinária.


“Lá está ela, mais uma vez. Não sei, não vou saber, não dá pra entender como ela não se cansa disso. Sabe que tudo acontece como um jogo. Se é de azar ou de sorte, não dá pra prever. Ou melhor, até se pode prever, mas ela dispensa.
Acredito que essa moça, no fundo gosta dessas coisas. De se apaixonar, de se jogar num rio onde ela não sabe se consegue nadar. Ela não desiste e leva bóias. E se ela se afogar, se recupera.
Estranho e que ela já apanhou demais da vida. Essa moça tem relacionamentos estranhos, acho que ela está condicionada a ser uma pessoa substituta. E quem não é?
A gente sempre acha que é especial na vida de alguém, mas o que te garante que você não está somente servindo pra tapar buracos, servindo de curativo pras feridas antigas?
A moça…ela muito amou, ama, amará, e muito se machuca também. Porque amar também é isso, não? Dar o seu melhor pra curar outra pessoa de todos os golpes, até que ela fique bem e te deixe pra trás, fraco e sangrando. Daí você espera por alguém que venha te curar.
Às vezes esse alguém aparece, outras vezes, não. E pra ela? Por quem ela espera?
E assim, aos poucos, ela se esquece dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida lhe deu, lhe dará.
A moça – que não era Capitu, mas também têm olhos de ressaca – levanta e segue em frente. 
Não por ser forte, e sim pelo contrário… Por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência. E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda. Afinal, foi chorando que ela, você e todos os outros, vieram ao mundo.”

Caio Fernando de Abreu

domingo, 8 de janeiro de 2012

Querido destino

Antes eu me culpava, ficava pensando no que poderia ter sido, culpando o destino e tentando encontrar uma resposta que me fizesse compreender todos os porquês da minha vida. Mas então, me pego pensando “o que eu seria se tivesse dado certo”. Não, isso não é uma forma de aliviar minha dor, até porque ela está quase curada. Falo isso porque sei que se as coisas tivessem tomado o rumo esperado, hoje não seria quem sou. Pois esse ano foi fundamental para mim. Aprendi a me virar sozinha, abri meus olhos quanto a pessoas não confiáveis, cai, aprendi, sai muito, conheci novas pessoas, deixei de ter melhores amigos pra passar a ter irmãos, dancei, ri, extrapolei, fui a Luiza que eu gosto de ser. Com certeza não seria divertida e hiperativa se tivesse dado certo. E eu gosto das coisas como elas estão. Por isso que me dei conta: a questão não é o que seria, e sim o que evitei de perder!
Agora te entendo, querido destino!

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Julgando sem conhecer (BBB12)

Como os leitores de mais anos sabem, faço a cada edição uma avaliação prévia dos participantes do Big Brother Brasil. A partir do momento que suas fotos são jogadas na internet, avalio-as e escrevo sobre o que achei de cada um, assim, de primeira impressão.
Então, como de costume...


Fernanda: Sabe que toda vez, passo o olho nas fotos de todos e pluft!, encontro alguém que pareça ser uma das melhores pessoas entre todos. Foi isso com Talula, Fernanda Cardoso, Ana Madeira... E isso aconteceu novamente com a empresária carioca Fernanda de 29 anos que me pareceu ser uma pessoa tranquila, amiga e de bem com a vida. E olha o nome! Será que minha preferida vai ser, mais uma vez, uma Fernanda como aconteceu no BBB 10?

Jakeline: Essa estudante de zootecnia me arrancou risos só de olhar pro rosto dela. Será que estou certa? Talvez não, mas que aparenta ser muito engraçada, ah, isso parece. Bom, mas olha de onde essa moça de 22 anos é, Bahia! Tem tudo para essa previsão dar certo.

João Carvalho: Se ele tivesse sorrindo na foto, ia jurar que ele é uma pessoa super engraçada, pra não dizer substituto de Dicésar (risos). Não sei porque mas olho pra ele e vejo um cabeleireiro. Brincadeiras a parte, afinal ele não está sorrindo na foto.. Estando assim, me parece bravo, um homem de 48 anos, muito bravo..

João Mauricio: Não gostei. Sei lá, tem cara de metido e meio sem noção. Lembra do Eliéser? Pois é, me lembra ele, e isso não é legal. O pecuarista, 24, não tem nada que desperte minha torcida, mas quando vê ele cale minha opinião ao se mostrar diferente.

Jonas: Ah, Jonas... Lindo, charmoso e o melhor, gaúcho! Até que enfim, meu Deus. Minha torcida antecipada e de primeira impressão vai pra ele, junto com a Fernanda.

Kelly: A Assistente comercial de 28 anos, não me chamou atenção. Não parece ser alguém animada, me parece reservada, na dela. Não sei nem o que falar, não consegui a identificar antecipadamente.

Laisa: Estudante de Medicina, 23, gaúcha. Por mais que seja do Sul, também parece sem graça, mas acredito que seja uma boa pessoa. Talvez se torne amiga da Kelly, não sei por que acredito nisso, sei lá, a estranha aqui, na verdade, sou eu.

Mayara: Personalidade! Assim posso descrever a Arte Educadora paulistana de 23 anos. Vai falar o que vier na cabeça, não se deixará manipular e irá longe nessa edição.

Netinho: Advogado, 28 anos e com uma cara de intelectual! Vai conversar bonito com o Bial nas noites de terça-feira, mas não muitas vezes, acho que ele não vai longe!

Rafa: Sei lá, tem um jeito de olhar... estranho. Me lembra psicopatas, assassinos e aqueles caras dos filmes de suspense que matam garotinhas. Calma aí, sei que ele não entraria no programa se fosse assim (risos). Mas que eu não gostei dele, é verdade.

Renata: Gostei de você menina! Estuda psicologia, deve ser calma, sensata, inteligente. Por mim vai longe.. Boa Sorte!

Yuri: Professor Muay Thai, ual! Parece ser uma pessoa legal, conselheiro, que vai se juntar com o Jonas, se tornarem amigos e irem juntos para a reta final. Olha eu aqui de novo, imaginando demais!

Bom, era isso galerinha! Vamos esperar dia 10 e começar a observar para depois ver se eu acertei alguma coisa.

sábado, 31 de dezembro de 2011

tempo, tempo, tempo, tempo ♫

''O amor calcula as horas por meses e os dias por anos, por isso que a cada pequena ausência é uma eternidade.'' Essa frase de John Dryden já significou muito para mim. Há um ano atrás eu estava contando os dias, as horas, não apenas para uma virada de ano e sim para uma transformação na minha vida. E minha vida mudou mesmo, mas não totalmente como eu pensava. A única coisa que tenho certeza é que tudo que aconteceu me modificou de uma maneira, me fez mais forte, mais segura e mais independente.  É impressionante, até mesmo as coisas que não dão certo, contribuem para alguma coisa!

Seja muito bem vindo 2012

Mais um ano termina. Um ano que, com certeza, marcou cada um de determinada maneira. Independente de que formas as coisas aconteceram, quais emoções viveram e por quais caminhos percorreram, todo ano quando chega ao final é motivo para comemorarmos. Afinal, estamos vivos e é isso que importa. Somos capazes de fazer com que os próximos 12 meses, chamados 2012, sejam aptos para superar os que passaram. Faça a vida valer a pena, feche os olhos e pense em todos momentos felizes proporcionados por 2011.
E quando chegar a meia noite, olhe para o céu e grite: ME FAÇA FELIZ 2012
Acredite nisso, acredite no poder do pensamento positivo, você é o que você sonha, essa é a verdadeira colocação.
Um beijo no coração de cada um e FELIZ ANO NOVO :)

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

O tempo passa muito rápido

Parece ontem. De verdade sinto como se aquela sensação, o frio na barriga, e a curiosidade sobre o primeiro dia de aula em uma universidade, estivesse ainda presente no meu corpo. E agora, um ano se passou. Um ano que me fez perceber o quanto sempre estive certa sobre o futuro que desejei. Foram experiências na qual me peguei pensando, “realmente é perfeito para mim”. Perfeito porque, estudar jornalismo é uma tarefa mais do que prazerosa, já que sou perdidamente apaixonada por escrever.
Mas uma coisa legal em tudo isso, é que me descobri em mais atividades. Percebi que gosto de ser voluntária e notei que me identifico com essa história de ajudar idosos, afinal, graças a eles que o presente existe. Descobri também que gosto de rádio. Sempre disse que minha área era apenas escrever, criar matérias e o resto seria consequência, mas agora sei que posso ser o que quiser, só depende de mim. Além de me apaixonar ainda mais pelo que já tinha certeza que amava, me vi apreciando coisas que pensava não me identificar.
E as coisas que aprendi sobre ser repórter? Isso me fez viciar sobre esse tal jornalismo. Acho incrível ter que correr para a rua em busca de notícias. É lá que as informações andam, os fatos acontecem e as pessoas circulam. E através dessas pessoas e suas histórias, um mundo novo é possível encontrar. Meu Deus olhe para mim! Estou completamente apaixonada por tudo isso. E isso é maravilhoso.
Além disso, fiz amizades. É tão bom saber que nossa turma, uma junção de futuros jornalistas e publicitários em construção, é, praticamente, uma família. Tenho muito orgulho de ter conhecido todos eles. Sair de casa, como fiz, para realizar esse sonho, foi bastante difícil. Afinal, sou muito ligada a minha família, sou carente e gosto de ter quem eu amo do meu lado. Então, agradeço a Deus por minha turma ser mais do que vários colegas reunidos, e sim irmãos com diferentes mães, mas que se identificam e gostam um do outro.
Conheci também as meninas da pensão, outra família construída. É, acho que devo agradecer muito mesmo, pois nada melhor para uma pessoa tão carente como eu, do que ter várias famílias.
Aprendi muito esse ano, cresci em mente e em corpo. Errei e caí, mas levantei. Me tornei independente de certas coisas e hoje tenho muito mais pessoas confiáveis ao meu lado. Sei diferenciar o essencial do insignificante, embora às vezes, caia em tentação. Sou mais forte e aguento bem mais coisas. Aprendi a ignorar o que me faz mal e fiz amizades que me ajudam nesse processo.
O mais importante de tudo isso é que hoje sou mais feliz. Embora morra de saudades de tudo que vivi ano passado com minha 301, sei que agora é o momento em que tudo está se ajeitando, com dificuldades às vezes, mas está. E isso, ah, isso é algo muito bom!
Não tenho medo do futuro, quero lutar por meus sonhos cada vez mais, e isso não há ninguém que possa me impedir.
Para acabar esse texto que poderia continuar por páginas e páginas, faço o melhor que posso fazer: Agradeço a todos que fizeram de 2011, o melhor ano da minha vida.

sábado, 26 de novembro de 2011

Quando o ódio vira amor


Não sei quando e nem como, fui me apaixonar. Logo eu que estava cansada e protegida por um sistema que não me deixava envolver por ninguém, nenhum cara, nada de amor. O problema de criar regras é perceber que o destino faz o que quiser, por isso, estar preparada é sempre a melhor alternativa.
Escrevo nesse diário antigo, a história da minha vida em quinze dias. Duas semanas que mudaram completamente o rumo da trajetória pensada para mim.

Era verão de 2011, mais precisamente, janeiro. Meu pai que há anos não morava mais comigo e mamãe, me ligou pedindo que fosse passar uma semana na casa onde ele agora morava. O motivo de tal proposta era simples, mas irrecusável: a “minha querida” madrasta tinha ido viajar para cuidar da filha que estava em trabalho de parto. Aceitei não apenas por saber que meu pai necessitava de alguém para ele conseguir manter-se vivo durantes aqueles dias, mas também por aproveitar e matar a saudade incontrolável que sentia.
O difícil foi avisar minha mãe. Para ela, ver meu pai é quase tão pecador como ofender uma mosca. Defensora dos animais, Dona Marina não é uma mulher fácil. Às vezes penso que meu pai saiu de casa por não conseguir entender seu jeito intenso, até mesmo exagerado, de ver as coisas. Embora conhecesse mais do que ninguém esses defeitos que ela mantém, sou a pessoa que mais ama aquela mulher em todo mundo. Por amar tanto assim, decidi ser direta e falar logo, para acabar de vez com essa tarefa nada fácil. Afinal, achar desagradável minha atitude, ela acharia de qualquer jeito.
- Mãe, porque você está limpando tanto esse tapete? – perguntei curiosa.
- Seu tio Roby vai me trazer o Forte. – respondeu quase me ignorando.
- Forte? – questionei.
- O poodle que ele ganhou em uma rifa. Vou cuidar dele já que seu tio não tem consideração alguma por animais – gritou furiosa com a atitude do irmão mais velho.
Essa não era a hora certa para pedir algo tão importante, mas conclui que esperar não iria adiantar nada.
- É, mãe, eu po-posso passar duas semanas em São José com papai? – gaguejei
 Ela parou tudo que estava fazendo e me olhou seriamente. Por mais que ela odiasse a ideia, ela não podia me impedir de visitar meu pai. Então, ela apenas disse:
- Por favor, apenas duas semanas.
  A viagem para casa do meu pai foi como sempre, assustadora. Talvez o receio que sempre tive em andar de avião me fazia imaginar que não chegaria, nem por um golpe de sorte, em um local onde tivesse que ir sem me sentir segura, em terra firme. São José, Costa Rica era meu destino. Sair do Rio Grande do Sul para ir até lá, precisava de no mínimo muita coragem, pelo menos para mim.
  Meu pai desde que se separou de minha mãe tinha conseguido mais dinheiro do que eu imaginava. Sua vida, regada de luxos, não tinha comparação à vida simples que nos levávamos no sul do Brasil. Ele e Verônica, a mulher pela qual ele abandonou nossa família, abriram um negócio de exportação de produtos eletrônicos. O destino fez com que os dois tivessem sorte na capital de Costa Rica e lá ficaram até hoje.
 Cheguei ao Aeroporto Internacional Juan Santamaría às quatorze horas e não encontrava meu pai. Já eram dezesseis horas e nada. Comecei a ficar nervosa, o celular que serviu para escutar músicas e mais músicas durante a viagem, a fim de fazer com que esquecesse que estava a mais de 10 mil metros da terra, terminou a bateria me deixando incomunicável. Só me restava esperar.
   Sempre odiei esperar. Será que era tão difícil chegar na hora? Estava cansada, com sono e ainda um pouco enjoada devido ao nervosismo que fiquei.            Foi quando, de repente, avistei o Chevrolet Camaro de meu pai vindo em direção ao banco desconfortável no qual estava sentada. Irritada, levantei e sem olhar direito para o interior do carro, ajeitei minha bolsa que enganchou no espelho. Enquanto tentava sair daquela situação, aproveitei para ir tirando satisfações com papai, como uma boa e fiel escorpiana que perde paciência muito fácil.
- Sabia que estou com fome, sede, sono e prestes a estourar de dor de cabeça. É assim que tu me retribuis por te amar tanto? – gritei
- Olha, na verdade eu não sabia que você me amava, mas sabe que não é uma má ideia. – uma voz grossa e irônica me respondeu.
 Olhei para dentro do carro e percebi que não era meu pai na direção, nem no banco de trás, nem em lugar algum. A única pessoa no carro, a dona daquela voz irritante, estava agora rindo de mim. Poderia ter perguntado logo quem era, mas estava tão impulsiva que só consegui gritar:
- Cadê meu pai? Ele sabe que estou esperando aqui há mais de duas horas? Fala logo!
 O riso debochado e ao mesmo tempo sarcástico daquele brutamonte que se encontrava no carro do meu pai, dirigindo o Camaro tão amado por ele, conseguiu me fazer parar de gritar e apenas virar as costas.
- O que houve garotinha? Calma, entre no carro que te explico tudo – ele falou pausadamente.
- Garotinha? Tu não sabes nada sobre mim! Não tem direito de tirar conclusões.
- Realmente, seu pai estava certo. Você é mais difícil do que aparenta.
- Então você e meu pai andam falando de mim? Já sei. Você é um espião? Um segurança idiota que vai tentar me controlar? Nossa, meu pai me surpreende.
- Calma aí garotinha – falou em meio a risos – Sou apenas o motorista do Dr. Gustavo.
- Eu já disse pra não me chamar de garotinha, tenho dezessete anos. Posso não ser tão velha como você, mas estou longe de ser considerada uma menina. – falei duvidando de mim mesma.
 Podia ter dezessete anos, porém, tinha tremido por andar de avião, ficado sem paciência por ter que esperar e ainda quase chorado de raiva por não saber o que se passava na cabeça do meu pai em me deixar, abandonada, naquele aeroporto. Atitudes de criança. Eu tinha consciência disso, mas aquele idiota não tinha o direito de ficar brincando com alguém que ele mal conhecia.
- Vinte e oito. Apenas vinte e oito – ele disse
- O que? Tu estás doido?
- Tenho vinte e oito anos, sou novo. Você me chama de velho para poder dizer que ter dezessete anos é como ser uma adulta responsável.
- Tu és ridículo!
- E você fica linda falando “tu”.
 Aquilo foi o máximo que meu estresse poderia aguentar. Dei de costas e saí caminhando rapidamente para qualquer lugar, desde que fosse longe daquele, daquele! Não tinha palavras pra demonstrar o quanto ele me irritou.
- Ei, espere aí! – falou enquanto eu sentia passos atrás de mim.
  Ele me segurou pelo braço e gritou:
- Vim aqui te buscar, estou tentando levar você para casa e é assim que age comigo? Venha, entre no carro que seu pai precisa falar contigo quando chegarmos em casa.
- Ta, mas larga meu braço.
- Tudo bem, mas depois não reclama quando te chamar de criança novamente.
- Ah, eu te ..
- Amo. Já sei. Você já me disse isso. Aliás, foi bem rápido. Não acha que apressou as coisas?
- Engraçadinho – sussurrei sem vontade.
- Vamos lá lindinha, agradeça a Deus por eu existir.
Entrei no carro e fiquei em silêncio até que ele rompeu a quietude estabelecida por mim.
- A propósito, sou Bill.
- Marília, respondi friamente.
  Chegamos à casa do meu pai e eu fui logo perguntando:
- Por que o senhor não foi me buscar? Ou melhor, porque mandou aquele idiota?
- Também senti saudades querida. Bill é meu motorista e é um cara responsável e competente.
- Acho que o senhor não sabe o empregado que tem!
- Eu disse que estava com saudades filha.
- Desculpe, eu também estou com saudades, muitas saudades. Mas é que fiquei muito irritada, perdão.
 Meu pai sempre foi assim, amoroso e sério ao mesmo tempo. Carregamos minhas coisas para dentro do quarto onde iria ficar.
 Passei a noite toda pensando naquele estúpido, projeto de humorista, irritante e idiota. O que eu tinha de errado? Não deveria lembrar nem mais o nome de um guri assim. Ai, guri! Se ele ouvisse garanto que iria gozar do meu sotaque gaúcho. Idiota, idiota. Não conseguia imaginar outra definição melhor e assim adormeci.
 Fui acordada por Judite, empregada na casa.  Ela me disse que eu deveria levantar rápido e fazer as malas. Perguntei o que tinha acontecido:
- Seu pai teve que ir para Sidnei. A filha da Dona Verônica ganhou gêmeos e como o marido dela é de uma família que gosta de comemorar todos os presentes que a vida os oferece, vão fazer uma comemoração por essa graça enviada.
- Sidnei, Sidnei? Sidnei na Austrália?
- Sim, Marília.
- Espera aí. Meu pai saiu no meio da noite para ir à outro continente, logo no dia que cheguei aqui? E nem me avisa? Não posso acreditar.
- Querida, ele já deixou tudo preparado. Você vai agora meio dia com o monomotor particular dele. Arrume-se e vá. Não dê motivos para ele ficar triste, por favor, ele te ama.
- Está bem, mas e minha mãe? Ela nunca vai permitir.
- É aí que você se engana Marília. Seu pai ligou para sua mãe, explicou a situação e ela permitiu. Com um pouco de custo, é claro, mas conseguiu.
 A primeira coisa que me veio à cabeça foi “onde minha mãe está com a cabeça em me deixar ir justamente para onde não quero?”. E a segunda foi: “Forte. É claro. O cãozinho deve estar fazendo ela muito feliz, só pode”.
Peguei minha mala sem ainda conseguir acreditar no que iria fazer. Viajar para a Austrália. Já achava longe Costa Rica, me dava dor no estômago apenas em pensar. Mas pensei no que Judite tinha dito. Ela estava certa, eu não podia ser má com meu pai. Se para ele era importante, pra mim também teria que ser.
Depois de tudo pronto, peguei a mala e fui até onde Judite me orientou que o jato estaria. Não queria admitir, mas tremia como de costume, apenas ao pensar em sair da terra firme.
Cheguei ao jato e não queria acreditar no que via. Não, não seria possível. Bill estava lá, sentado onde algum piloto de verdade estaria, vestindo uma roupa preta, óculos escuros e usando aqueles enormes fones. O barulho do avião já ecoava, portanto, ele precisava gritar para que eu conseguisse escutar.
Mas como se manter calma quando alguém que mesmo falando calmamente te irrita, sorri como se te ver fosse a coisa mais divertida do dia e perceber que justamente essa pessoa, será a responsável por uma das missões mais difíceis. Voar era algo tenebroso, ainda mais voar com Bill. Não, não, eu deveria estar sonhando, relutando contra o pesadelo. Não pode ser verdade, por favor, meu Deus.
- E aí garotinha? Pronta para voar?
- Não, quer dizer, sim. Mas nunca com você.
- Tudo bem, você pode pegar a barca e ir remando. Então, a gente se encontra lá.
- Para. Eu não tenho problema nenhum com aviões, eu só não quero voar com você. Ainda mais sozinha.
- Olha meu amor, juro que vou me comportar. Agora, entre aqui! O céu está ficando nublado, vamos passar o oceano antes que fique mais escuro ainda.
- Não vou!
- Estamos sem tempo, lindinha. Entre logo e não reclame.
 Entrei naquele monomotor sem nem olhar para o rosto de Bill. Não queria ir, de maneira alguma, com ele, mas infelizmente não tinha escolha. Bendita hora em que minha mãe resolveu me deixar viajar para outro continente. Essa realmente não era minha viagem dos sonhos. Viajar para Austrália para presenciar meu pai comemorando o nascimento dos “netos” gêmeos, filhos de uma garota que jamais o amaria como eu amo, não era um passeio legal. E ir até lá, com o cara que me tira do sério se sentindo o piloto mais perfeito do mundo, definitivamente, não era o melhor meio para viajar.
- Coloque o cinto e o fone mocinha, vamos voar!
Aquela expressão fez gelar meu coração. O medo que sentia era maior do que qualquer outro.  Não queria atravessar o oceano com Bill. Como iria saber se ele era ou não, um bom piloto? Como saberia se esse monomotor conseguiria atravessar o pacífico? Deus que nos ajudasse.
- Marília?
- O que?
- Ei, você está tensa. Melhore este rosto, sou piloto profissional. Trabalhei na Aeronáutica Brasileira durante cinco anos.
- Está explicado o porquê de falar tão bem português – respondi.
- Minha mãe é brasileira, fiquei com ela no Brasil até conseguir esse emprego com seu pai. Pode parecer simples o que faço, mas consigo mais dinheiro aqui.
Fiquei em silêncio, sem saber ao certo o que falar. Por que ele resolveu me contar sobre sua vida? Eu não precisava saber nada disso, só queria chegar logo.
- Eu amo aquela mulher. Pena que não mantemos mais contato.
Não quis perguntar o motivo, mesmo que estivesse louca de curiosidade. Então, ele agora tinha se tornado emotivo e sensível, que boa hora para ficar com pena dele.
O silêncio que se estabeleceu entre a gente depois disso, não durou muito tempo. O monomotor começou a fazer um barulho estranho, enfraquecendo-se devagar.
- O que houve? – gritei
- Estamos caindo!
- E tu falas assim, como se fosse algo simples! Estamos no meio do pacífico, Bill!
- Eu sei Marília, vou tentar pousar – falou calmamente.
- Pousar? Tu estas louco? Por acaso quer que uma pista apareça no meio do mar?
- Olha para lá, está vendo aquele ponto?
- Onde? – perguntei irritada
- Alí, preste atenção.
            Ele puxou minha mão e apontou para baixo.
- Aquele ponto. É ali que vamos pousar, fique calma, acabou o combustível, é só isso.
Comecei a chorar, era só isso que poderia fazer em um momento desses. Estava chocada! Sempre odiei aviões, helicópteros e agora odiava ainda mais aquele monomotor. Sem falar no Bill, ele parecia tão tranquilo. Isso era impossível em uma situação daquelas. A calma dele me fazia o tolerar ainda menos.
O avião começou a aumentar a velocidade. Agora sim sabia que tudo era verdade.     Bill pousou sobre aquela ilha à qual, minutos antes, ele chamava de ponto.
O pouso forçado fez com que o avião se balançasse em um ritmo assustador. Fechei os olhos e quando percebi minha mão sendo apertada firmemente por outra grande e forte. Quem ele pensava que era? Já não chega ter me convencido a entrar nessa coisa chamada monomotor, agora tinha a audácia de tocar em mim. Mas o medo foi mais forte que meu orgulho, me fazendo apertar ainda mais sua mão com a vontade de ao fechar os olhos voar para o sul do Brasil e dar um abraço em minha mãe.
Pousamos. O avião bateu contra uma árvore, amortecendo a rapidez da queda. Bati minha cabeça e vi Bill soltando se da poltrona e segurando meu rosto. Foi a última lembrança que tenho antes de acordar, quarenta e oito horas depois da queda.
 Abri meus olhos e a primeira coisa que enxerguei foi o sol. Ele brilhava forte e o calor era grande. Olhei para o lado e avistei um lago, um coqueiro e muita areia. Estava confusa e não sabia o que pensar. Foi quando o vi.
Bill estava sem camisa, sentado em uma pedra e selecionando folhas em uma pilha que se encontrava aos seus pés. Observando comecei a lembrar de tudo. Não acreditava em tudo que minha memória me passava.
- Bill, porque ainda estamos aqui? Quero ir embora, porque tu me esperaste dormir para depois pensarmos em um modo de sair daqui?
- Talvez por não ter uma solução para isso acontecer – afirmou.
- Como assim, podemos fazer o avião voar de novo.
- Você está louca? Olhe para trás.
Virei e percebi o estado que a queda deixou o monomotor. Não teria condições, realmente, de fazê-lo ir aos céus novamente.
- E celular? Vamos ligar – questionei
- O meu acabou a bateria e o seu está sem sinal.
- Então tu andaste olhando meu celular, não é mesmo? Só basta eu dormir por alguns minutos que já se apropria das coisas alheias.
- Foram dois dias.
- O que?
- Você dormiu por dois dias. Coma algo, deve estar faminta.
Ainda perplexa, pensei em como pude dormir por tanto tempo. Ao observar a minha volta percebi que foi tempo suficiente para Bill montar uma cabana com folhas de bananeira, pescar alguns peixes e ainda cuidar a hora que eu acordaria. Isso tudo não parecia ser verdade. Tinha muito mais jeito de filme ou história fictícia de um livro. Mas não, estava mesmo acontecendo comigo, e o pior de tudo: tinha Bill no meio disso.
Por algum motivo intenso e sem explicação certa, eu o odiava. Odiava tanto Bill que me senti falsa em ficar agradecida por tudo que ele estava fazendo. Só que isso, ele jamais ficaria sabendo.
- Garotinha, vem cá me ajudar com essas folhas.
- Vou fingir não ter ouvido isso – retruquei.
Assim passaram-se dez dias. Há doze estávamos lá, apesar de não lembrar nada dos dois primeiros. Minha relação com Bill se baseava em ódio e compaixão. Na maioria das vezes me via discutindo e discordando de tudo que aquele homem dizia. Mas isso era inútil. Se eu, escorpiana, me achava teimosa, ele deveria ser escorpião, com ascendente no mesmo signo. Como pode alguém ser minha versão exageradamente mais irritante?
Bill conseguia me provocar de uma maneira absurda. Ele irritava pelo simples fato de respirar. Se eu tentasse pegar um coco no alto do coqueiro e não conseguisse, ele não era capaz de me ajudar, sem antes dar várias gargalhadas. Ao tomar banho era a mesma coisa. Ele ria ao dizer que estava vendo tudo ou que iria se apressar para entrar no lago também. Por falar em lago, agradeço por ele existir. Bill avisou que a ilha onde pousamos se chama Tofua, é deserta, vulcânica e se localiza no meio do Pacífico.
Os dias passavam devagar. Ficar em uma ilha deserta, sem meio de comunicação, com a pessoa mais irritante, não era nada legal. Por isso tentávamos de tudo. Pensamos em construir um barco, mas tínhamos noção de que só uma grande e segura barca seria capaz de atravessar metade do Pacífico.
Foi por isso que começamos, aos poucos, tentar entender. Só restava esperar alguém nos achar. Estávamos sobrevivendo bem. Tofua é uma ilha tropical, com frutas e embora seja vulcânica, não há tantos riscos assim.  O único problema em ficar lá, era aguentar Bill e suas graçinhas.
Certo dia ele me parou após um banho no lago e disse que eu deveria ser mais normal. Não poderia ficar me escondendo dele já que tínhamos um relacionamento.
- É para rir, não é mesmo? – respondi
- Claro que não! Entramos juntos nisso aqui, temos que ficar unidos. E eu vejo o quanto você me olha durante o dia, fingindo não saber sobre meu olhar atento na situação. Admite vai, fala logo o quanto está apaixonada e enlouquecidamente encantada por mim.
- Tu és maluco.
- Sim, sou maluco, doido e como você sempre fala, idiota. Porque só um idiota seria capaz de amar a garota mais insuportável da face da Terra.
- Cala a boca – gritei
- Eu digo que estou apaixonado por ti e você me manda calar a boca? Você é surda?
Sai correndo para a beirada do oceano, com vontade de ir nadando até o Brasil. Mas como, ainda, estou com a cabeça no lugar, não fiz isso. Foi quando senti alguém me segurar pela cintura. O peso do corpo dele me fez cair sobre a areia. Ele segurava meus braços, enquanto eu relutava contra. E então, me percebi entrelaçada pelo corpo dele, sentindo-me presa em um sentimento que se dividia em amor e ódio. Aquele clichê da ideia ”entre tapas e beijos”.
Então, depois de nos encararmos diante da situação que nos encontrava, ele aproximou o rosto, segurou meu queixo e me xingou.
- Sua boba! Quem diria que estaríamos aqui, juntos e sem rumo?
- Não sei, só quero ir embora e me livrar de vez de ti.
- Tem certeza? – me calou com um beijo.
Beijar o homem que eu odiava não era algo normal. A explosão de sentimentos me invadiu por inteira. Fiquei com raiva de mim mesma por sentir o que senti.
Foram três dias de amor. Quando se completou 15 dias que estávamos lá, percebemos que o ódio por alguém, é sim uma emoção apaixonada. Se desde o início apenas ignorasse ele, seria porque ele não tinha importância alguma. Mas o fato de ele mexer comigo, me provocar, despertou em mim a última emoção que poderia imaginar em sentir: o amor.
Era difícil admitir isso, mas estávamos, aparentemente, apaixonados.
No mesmo dia, ao final da tarde, avistamos um grande barco vindo em nossa direção. Rezamos para que nos visse e pudéssemos voltar para um local que não seja um circulo de terra e mato, no meio do oceano.
A embarcação parou na costa da ilha e juntos corremos felizes em busca de socorro. “Deve ser meu pai”, pensei. Ao chegar perto, não vimos o que esperávamos. Dois caras encapuzados, com armas estavam no lugar onde deveria existir minha família, preocupados com nós e feliz por nos encontrar.
Bill apenas gritou: Corre! E eu corri para trás de uma planta. Minha mãe sempre dizia que quando me sentisse em perigo pensaria muito neles. É verdade! Eles foram o meu principal pensamento naquela hora. Meus pais são tudo para mim e vou amá-los para todo o sempre.
Meu piloto desastrado e ser humano hiperativo, tinha acabado de me fazer apaixonar e não seria agora que alguém estragaria essa alegria.
Enquanto Bill brigava com os homens mascarados, encontrei uma taboa que iria ajudar. Treinei uma vez no tronco de uma árvore e fui direto ao alvo. Bati com força na cabeça do bandido, que desmaiou inconsciente.
Fiquei com pena do desgraçado até que lembrei que estava disposta a vencer a situação e começar uma nova vida. Uma vida com Bill. Então, depois, com toda força que pude, bati no outro, que desabou no chão.
Estávamos livres. Livres para viver um grande amor. Embarcamos no barco que nossos “queridos amigos” bandidos deixaram de presente e estávamos prontos para partir, até que o mais estranho, para duas pessoas capazes de se matar a três dias atrás, acontece. Bill olha para mim e diz:
- Marília, eu te amo.
- Graças a Deus! Afinal, estou cansada de ser tratada como criança.
- Sim, eu te entendo, garotinha.
- Que bom que tu sabes pirralho!
Rimos juntos sobre tudo. Agora, me sentia uma nova mulher. Decidida, forte e impulsiva.  Então é isso, querido diário. A história da minha vida em 15 dias se deu da forma mais inesperada que existe: apaixonando-me pelo pior cara do mundo e prestes a atravessar o Pacífico ao lado dele. 


Conto feito por mim, para a disciplina de Leitura e Produção de Textos II - 
2º Semestre de Jornalismo

sábado, 15 de outubro de 2011

Você existe?

Ei, você dos meus sonhos? Você existe? Se sim, onde te encontrar? Só queria alguém que me fizesse esquecer tudo que me corrói e me machuca. Alguém que me tirasse do chão, apenas com um olhar. Não quero um amor morno. Odeio pouca intensidade. Se me contentasse com a firmeza da terra, estaria com alguém. Mas como quero o céu e nasci exigente e chata, estou aqui: esperando por quem me levará dessa calmaria. Eu quero me surpreender. Quero um amor novinho em folha. 

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Não há problemas em chorar

E quando você percebe que não é forte o suficiente para suportar certas coisas? Chorar não adianta, eu sei. Mas tem vezes que mesmo querendo se segurar, você não consegue. Aceite os fatos, admita ser ainda sensível e continue tua vida. 

domingo, 4 de setembro de 2011

O melhor dos amores


Sobre a noite ou dia, iluminado pela lua ou pelo sol, não importa! O fato é que você já chorou por um amor. Aquele amor “eterno” mas que não durou, aquele que veio, te fez balançar, mudou sua vida e saiu dela sem avisar. Você sentiu-se encurralado, quis gritar e sair correndo de onde estava. Pensou em jogar tudo para o alto, beber o “chá do esquecimento” para apagar tudo que não deveria lembrar. Mas você lembra, não é mesmo?
Como se esquecer da primeira troca de olhares, daquele sorriso perturbador e de todas às vezes na qual acreditaram juntos que tudo seria para sempre? Impossível, sabemos.
O ruim de um final é quando a gente não deseja que ele aconteça. Aprenda! Tudo nessa vida é probabilidade, nunca certezas. Você sabe o quanto quer algo, mas não tem como saber se vai dar certo. O problema é que ultrapassamos os limites da lógica e viajamos em um “mundinho” só nosso, onde mesmo sabendo que as coisas nem sempre duram para sempre, preferimos nos iludir a encarar a realidade.
Você ficou uma semana inteira planejando um momento, até desistiu de fazer uma viagem com seu melhor amigo apenas para ficar na espera do dia perfeito. Perfeito, será? E quando o perfeito não passa de uma fantasia? Admita! Você sabe as respostas dessas perguntas, mas fingir não entendê-las é bem mais fácil.
Para quem está pensando: “Ah, mais uma crônica de amor!” você está certo. Falar de amor, nunca é demais, mesmo que ele não tenha durado uma vírgula de toda uma história que você planejava construir.
Em meio de tanto sofrimento, de repente, o telefone toca, você treme ao imaginar quem seja, mas ao atender percebe que não é uma ligação com pedido de desculpas e recomeço. A voz soa mais alto do que o normal e quando você consegue raciocinar e concentrar naquela chamada, você compreende aquelas palavras. É alguém perguntando: “Calma, você quer que eu vá até ai?” As lágrimas resolvem despencar como uma cachoeira em dia de chuva e só o que você consegue dizer é: “To te esperando”.
Alguns minutos passam, e logo a solidão desaparece. Seu amigo chegou o mais rápido possível. O mesmo amigo que você se recusou a viajar junto, pra ficar a espera do dia perfeito que não aconteceu.
Nada melhor que desfrutar da boa companhia de alguém que realmente te entende e te conhece. Ele sabe que você tem suas manias e prefere não ter que falar nada quando está triste, por isso, mesmo em silêncio o simples fato de tê-lo ao seu lado segurando sua mão já te reconforta. Depois de horas juntos, assistindo uma comédia sentados naquele sofá amarelo da sua sala, que a propósito, ele sempre odiou, você chega a conclusão de que não precisa de paixões avassaladoras quando se tem um ombro amigo e alguém em que confiar. Afinal, a amizade é o melhor dos amores.


Crônica para a disciplina de Leitura e Produção de Textos II - 2º semestre
                                   Luiza Adorna e Gabriela Bruchmann

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Carente e histérica

Um dia me falaram que eu era carente. Agora me falam que sou histérica. Não estou reclamando, na verdade, sempre soube de tudo isso. E eu gosto de saber que as pessoas conseguem me ler tão bem.
Sou carente mesmo. Preciso de abraços, companhia e carinhos constantes! Talvez seja por isso que sinto tanta falta da minha cidade durante a semana que estou longe dela, pois fui criada assim. O pequeno Paraíso que tanto falo é a minha eterna casa. As melhores pessoas do mundo moram nele. Meus pais são minha vida, minha irmã é a melhor pessoa do mundo, meus animais são minha paixão e meus amigos me fazem ser o que eu sou. Portanto, ao crescer regada de carinho e proteção, me acostumei assim. Sou feliz assim!
Fui feita para depender do amor daquelas pessoas que são extremamente importantes pra mim, e assim sendo, me vejo buscando em tudo e em todos, proteção.
Sou intensa. Gosto das coisas que sinto ser feitas com amor. Amo beijos, abraços, carinhos, cafuné e sou apaixonada pela frase “Eu te amo”. Sou boba e admito, mas pelo menos, sou feita de verdade! 



Dedicada a Bibi que me conhece incrívelmente bem (e sabe o quanto sou carente), apesar do pouco tempo que nos conhecemos. Eu amo você amiga!

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Aprendendo a crescer

Depois de muitos sofrimentos e obstáculos, é perceptível que quanto mais problemas enfrentados, mais forte ficamos. Não estou falando de força física. Eu falo de mentes e corações preparados para o pior que possa acontecer. Maturidade, é disso que eu falo. Aprender a lidar com esse mundo cruel e saber dar valor apenas pra quem também te valoriza.
Entre tombos e tropeços, foi isso que aprendi. Quem me merece jamais me fará sofrer. Agora eu sei distinguir isso, e é isso que importa.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

É sempre a mesma história

É sempre a mesma história. A dúvida com sua mania de aparecer na vida dos outros e assim transformar o planejado. Na verdade, talvez sejamos nós mesmo que provocamos tantas incertezas, afinal, somos seres que gostamos de complicar. Você já parou para pensar que muitas vezes, por nos privarmos das escolhas imediatas acabamos bagunçando tudo? Na verdade, não seria a pessoa certa para escrever um texto aconselhando a ser de um jeito, sendo que não sou.
Se você parar para perceber, cometemos deslizes o tempo todo. A indecisão afeta nossa vida em muitos aspectos. É triste, mas é verdade.
Aquele ônibus que você não pegou; aquela escolha que você não fez; aquela vontade que não matou; aquele amor que desperdiçou. Não seria tão melhor se pudéssemos prever coisas que poderiam acontecer? Quem disse que naquele ônibus você não ia conhecer um grande amigo ou talvez o amor da sua vida. A escolha rejeitada por esperar que algo de melhor acontecesse talvez fosse a melhor alternativa. Está aí um grande erro nosso. Não fazemos algo agora porque sempre imaginamos que algo melhor virá. Então pra que desperdiçar tempo com algo duvidoso?
Talvez, seguir o coração seja sempre a melhor escolha, mesmo que pensar bem antes seja “mais correto”. Então, desculpa sociedade, mas eu ajo por instinto. 

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Exigente demais

Fico pensando, nunca ninguém consegue ser o que eu queria. Sou chata, exijo o que não existe no mundo normal, ou pelo menos, ainda não encontrei. E quando acho que encontrei, não dá certo. Na verdade, aqueles (dois) a qual eu já gostei o suficiente pra chegar ao ponto de querer algo mais sério, não seriam totalmente ideais, porque se fossem estariam aqui ainda. É, mas não estão.
Será que é tão difícil encontrar uma pessoa que seja do jeito que sempre sonhamos? Não, não estou com pressa de achar o amor da minha vida, só resolvi escrever um pouco sobre essa velha história que tanto falam: “Não devemos mudar ninguém, portanto, aprenda a amar quem lhe ama.”
Eu sei, seria ótimo e fácil, confesso. Mas seria entediante. Não desejo alguém que seja o que eu deveria querer. Quero alguém que eu realmente deseje.
Alguém que além de me amar, me conheça e me aguente. Não quero apenas ser amada, quero amar e ser amada. Quem vive pelo outro, não vive a própria história, e eu quero ser feliz.
Quero alguém que saiba quando estou nervosa e segure minha mão. Alguém que entenda meus ataques durante a TPM, que não me pergunte por que estou tremendo, alguém que conheça meus defeitos. Desejo alguém que saiba que quando eu pedir: “Me traga um refrigerante”, traga Pepsi sem questionar. Alguém que saiba o quanto amo marshmallow e o quanto odeio palmito. Que não me ache louca por tomar tanto sal de fruta e me acompanhe quando me pegar comendo um pote inteiro de sorvete de flocos.
Alguém que, além de tudo isso, conheça minhas preferências em todos os aspectos.
Quero alguém que tenha fôlego pra me acompanhar, que assista todos os filmes comigo, leia o que eu escreva e goste de nadar.
Alguém que seja engraçado e que saiba provocar. Não precisa ser lindo, mas tem que me fazer rir. Eu sonho com alguém que me irrite às vezes e depois me ame como nunca. Alguém que invés de apelidos carinhosos, me chame de chata e diga o quanto sou péssima cantora quando resolver cantar as mais antigas músicas. Sempre gostei de relações amor x ódio, aquela velha história “entre tapas e beijos”. Não me confunda. Não desejo alguém mau, grosso e mal educado que vai partir meu coração. Eu digo me irritar no sentido de fingir não me amar e depois rir da situação ao dizer: “Sua boba, tu acha mesmo que eu não te amo?”
Alguém que não seja tão pegajoso, mas que não me perca de vista. Alguém que sinta pouco ciúme de mim, e apenas ciúmes necessários. Nada de ciúmes quando se tratar de meu melhor amigo, minha família e minhas amigas. Quero amor intenso, não quero ninguém que me trate do jeito que trataria a mãe ou a irmã, desejo atenção e quero ser surpreendida.
Uma pessoa que me ligue quando menos esperar e não se importe com minhas paixões por ídolos, esmaltes e livros. Que ame ficar até tarde acordado e goste de dormir com no mínimo dois edredons. Alguém que eu olhe nos olhos e perceba que realmente está do meu lado porque quer e principalmente, que continue para sempre.
Ei, não sou tão egoísta assim. Quero alguém que eu possa fazer feliz também. Mas para isso eu preciso amar mais do que o suficiente para tal proeza. Afinal, fazer alguém feliz é tarefa difícil e eu não quero fingir um relacionamento caso ele não for realmente o meu destino.
Sou previsível e imprevisível ao mesmo tempo. Embora meus gostos sejam claros demais, minhas ações não. Posso fazer algo hoje e amanhã mudar de direção, posso estar amando hoje e odiando amanhã. Eu gosto de atenção e muitas vezes não sou compreendida.
Você deve estar aí, pensando: “Que garota idiota, ela acha que isso é mesmo possível?”, E então, meus caros, eu respondo: Eu penso exatamente a mesma coisa.
Por mais que eu sonhe boa parte do dia, eu tenho meus momentos realistas, onde me pego fazendo a mesma pergunta. O ruim de se auto perguntar isso, é se deparar com a resposta, aquela que eu não quero ouvir, mas que está clara demais para mim e para todos. Portanto, chego à conclusão que, embora eu quebre a cara milhões de vezes e me iluda por toda vida, é melhor viver meu mundo imaginável do que desistir de meus sonhos. Pra que enlouquecer com as decepções da vida real, se ao fechar os olhos é possível ser qualquer coisa?

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Jornalismo

Hoje, férias, comecei a pensar e percebi que sempre me condenei por sonhar alto e nunca ter um sonho realizado. Foi quando lembrei que essas minhas férias a qual estou feliz em casa, são férias diferentes. Não são mais aquelas de escola que sempre amei. Essas férias significam mais do que ter um momento pra dormir até tarde, aproveitar as horas vagas, assistir muitos filmes e ler um determinado número de livros. Minhas férias, minhas primeiras férias de faculdade, que marcam o fim de um semestre. Pronto, cheguei no ponto desejado. Lendo um post antigo aqui do blog, a qual escrevi sobre meu sonho de fazer jornalismo, me dei conta que posso agora dizer: Um dos meus sonhos foram realizados. O meu sonho de criança está acontecendo. Todas as tardes que brincava de apresentar jornal e todas as centenas de textinhos escritos não foram em vão. Posso dizer, com toda certeza, que minha infância determinou na minha decisão pelo jornalismo. Aliás, nem posso chamar de decisão. Decisão é quando você, entre a ou b, opta por a. Eu não tinha um b, eu sempre pensei em apenas uma profissão. Talvez deva corrigir minha frase e continuar assim: Posso dizer, com toda certeza, que minha infância originou essa minha VONTADE, esse louco e incurável desejo pelo jornalismo.
Daqui a quatro anos, vou ler isso, e ainda vou amar tudo isso. A diferença é que estarei formada e poderei ganhar a vida fazendo o que gosto. O futuro é incerto, mas o sentimento é eterno.
Um semestre foi, que venha os próximos oito.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Meu terrível medo de morrer

Odeio pensar que um dia eu, e todos que amo, vão partir. Nunca entendi a morte, não gosto dela, tenho pavor e choro apenas em pensar. Sim, sou boba. Tenho que entender o fato de as pessoas não durarem para sempre. Mas o que posso fazer? Tenho esse chato defeito de não conseguir aceitar certas coisas.
Diante desse meu dilema, lendo Doidas e Santas, me deparo com essa maravilhosa crônica (como de costume) da Martha Medeiros. 


" Assisti a algumas imagens do velório do Bussunda, quando os colegas do Casseta & Planeta deram seus depoimentos. Parecia que a qualquer instante iria estourar uma piada. Estava tudo sério demais, faltava a esculhambação, a zombaria, a desestruturação da cena. Mas nada acontecia ali de risível, era só dor e perplexidade, que é mesmo o que a morte causa em todos os que ficam. A verdade é que não havia nada a acrescentar no roteiro: a morte, por si só, é uma piada pronta. Morrer é ridículo.

Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e no meio da tarde morre. Como assim? E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente?

Não sei de onde tiraram esta idéia: morrer. A troco? Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente. De uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria entupida, num disparo feito por um delinqüente que gostou do seu tênis. Qual é?

Morrer é um chiste. Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas. Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira. Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu.

Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manhã. Se faz check-up regulares e não tem vícios, morre do mesmo jeito. Isso é para ser levado a sério?

Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem-vindo. Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não acompanha a mente, e a mente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas. Ok, hora de descansar em paz. Mas antes de viver tudo, antes de viver até a rapa? Não se faz.

Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas. Só que esta não tem graça nenhuma."

Achar uma crônica da Martha maravilhosa é fácil, ainda mais pra mim que sou fã do trabalho dela, mas esse texto foi especial. Especial pelo fato de falar sobre meu maior medo e de revelar que este não é apenas um temor meu, e sim de muitas outras pessoas. Afinal, morrer cedo é acordar de um sonho antes de chegar na melhor parte. É triste e é inconsolável.

terça-feira, 28 de junho de 2011

O amor de uma vida pode ser um amigo, porque não?

(depoimento feito para o melhor amigo do mundo)


Podem olhar a vontade. Sim, a gente anda de mãos dadas, abraçados, eu pego na cintura dele, ele faz carinho em mim, mas essa troca de sentimento não precisa ser necessariamente uma relação carnal entre duas pessoas. Não vou dizer que é apenas amizade, é amor sim, mas amor de irmão, de amigo, aquele amor que quero sempre em mim. Eu o amo, mas nem por isso significa que o namoro, fico, pego ou sei lá o que mais pensam. Não tenho vergonha e nem receio em dizer que ele é o cara mais especial que podia ter entrado na minha vida. Porque nenhum romance deve ser maior que o amor de melhor amigo.