domingo, 22 de setembro de 2013

Velhice saudável

Sabe quando cada situação te faz pensar no quanto ficamos velhos? É a roupa que não te serve, os lanches fora de hora que não fazem mais sentido, a paciência em verificar que se está errado. Ultimamente, percebo sintomas da velhice. Mas, o mais legal de tudo, é que isso não me deixa triste. Afinal, o que são alguns anos a mais, quando tu te tornas uma pessoa melhor?

Lágrimas secas, sorrisos sábios

Engraçado pensar que, independente da circunstância, o tempo resolve tudo. Não, nem sempre. Às vezes é preciso ligar uma parte importante, chamada cérebro. Uma parte que, em mim, serve para fazer o meu Jornalismo amado e estudar. Sempre uso o coração, a emoção. Inclusive no Jornalismo também, que aproveita esses dois lados tão distintos. Porém, pensar e mover-se com raciocínio pode ser uma ótima solução. Com a idade, aprendi que minhas lágrimas nem sempre podem resolver os problemas de uma vida, tantas vezes, tão seca. Talvez, a solução de tudo, seja sorrir como quem muito sente, mas sabe muito mais.

sábado, 18 de maio de 2013

Ironia

Irônico é sorrir com coração doendo. Irônico é dançar com pés machucados. Irônico é criticar e fazer igual. Irônico é dormir sem estar com sono. Irônico é deixar mas vigiar. Irônico é ter como se esquentar e preferir cobertas geladas. Irônico é sonhar e não acreditar.  Irônico é dizer e não fazer. Mas, acima de tudo, irônico é amar e não querer.

Medo do escuro

Gosto do colorido das coisas, do sol, da luz. A noite me encanta, desde que iluminada pela lua. Não gosto de não enxergar nada, nem sequer um ponto, um brilho, uma pequena luz. A escuridão total só é legal para dormir ou quando se tem quem segure sua mão. Sempre que puder, vou procurar o brilho das coisas. E para não sofrer com o escuro ao fechar os olhos, peço uma ajuda à minha imaginação.

Toda forma de amor

A gente vai a luta
E conhece a dor
Consideramos justa
Toda forma de amor 




Cachorro, mãe, irmã, vizinho, pai, irmão, tio, avô, avó, colega, amigo, ídolo, fã, namorado, namorada, objetos, sol, céu, lua... Não importa qual seja ou por quem seja sua forma de amor. Todas são justas, todas são lindas, todas são de verdade. Porque se não for de verdade, não é amor. 

domingo, 28 de abril de 2013

Deixar o tempo passar

Andar de pés descalços na grama, beber água direto da jarra, dormir atravessada na cama, correr com cachorro, experimentar comidas diferentes, rir no chão da cozinha até a barriga doer. Assistir três filmes atrás do outro, retirar o pendrive sem segurança, deixar o trabalho para o último dia. Morrer de medo do escuro, perder cabelo entre as cobertas, derrubar o celular de cima da cama. Chorar com um bom livro, sorrir com uma cena de carinho, vibrar com a conquista das pessoas, gritar de medo de um animal qualquer. Fechar o livro sem marcar a página, caminhar rápido porque o sol está queimando. Caminhar devagar para aproveitar a chuva. Arregalar os olhos de surpresa, fugir para fazer o que o coração deseja, enfrentar o frio das manhãs de estudo, chegar atrasada na aula. Ter medo de dar o retorno na esquina, afugentar o medo do futuro em um abraço forte, digitar palavras nas notas do celular. Contar dias, contar estrelas, contar segredos, contar histórias. Forjar situações, dormir tarde, acordar cedo, esperar a noite chegar. Escrever um livro, adiantar trabalhos, atualizar o blog. Organizar um congresso, sorrir com um elogio, saber que leiam o que se escreve. Gargalhar com as amigas, dar cafuné no cachorro, receber cafuné da mãe. Pintar as unhas, cortar o cabelo, mudar a rotina. Ler jornais, ler revistas, ler embalagem de detergente. Cantar no banho, dançar no meio da sala e sonhar enquanto cozinha. Desenhar no papel, aprender novas coisas e rascunhar sobre a vida. Admirar a lua, lembrar de coisas boas e mergulhar. Varrer a cozinha mil vezes durante o dia e não se importar. Guardar o chocolate da páscoa para achar que o tempo parou. Conferir se fechou a porta a quantidade de vezes que quiser. Desligar você mesmo a luz do quarto. Organizar o roupeiro. Ter coragem de andar de bicicleta na cidade. Sentir cócegas, bater de mentirinha. Assumir riscos. Viver. A vida é repleta de situações. E quando a gente vê, o tempo passou.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Liberdade é sentir-se amado


Essa manhã foi difícil acordar. Dormi vinte minutos a mais do que o  normal. Não que isso seja uma atraso para a aula, afinal, costumo acordar cedo para fazer tudo com calma. Cheguei na aula que, a propósito, seria sem professora. E como qualquer motivo nos leva a Agência, foi lá que resolvemos nos acomodar. Quando percebi que havia deixado minha pasta com um papel importante dentro dela, tive que me obrigar a enfrentar a preguiça e ir buscar na pensão. Aproveitei a companhia de uma amiga querida. Caminhar conversando sempre é bom. Ao me despedir dela e atravessar a faixa de pedestre que reluzia uma luz forte em cada tira branca, avistei o amor. Na parada de ônibus observei um casal. Eles não estavam abraçados, mas eram um casal. Enquanto ela olhava para o chão, ele mexia no cabelo dela. Senti uma cumplicidade, um carinho, algo único. Ele era dela. E ela era dele. Naquele momento percebi: a liberdade de estar livre pode até ser legal, mas a sorte de viver um amor não tem "solteirice" que compense. 

domingo, 31 de março de 2013

Coisas que eu queria

Queria ser menos ansiosa, menos preocupada, menos respondona. Queria ser mais amiga, mais atenciosa, mais calma e espirituosa. Queria não chorar por tudo, nem ter medo do escuro e saber conversar. Queria ter menos resposta pra tudo, mais paciência e pensar antes de falar. Queria ser bem interpretada. Queria não decepcionar quem eu amo, ser motivo de orgulho e amar melhor.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Tudo muda - BBB13

Conceitos, jogo e pessoas. Bambam mudou em 13 anos e viu que faria besteira. O garoto que chorava por uma boneca de lata, voltou arrogante e percebeu que sua imagem de bom moço se transformaria em algo negativo. Fez certo, deixou a casa.
Hoje, assistindo o povo preparar o almoço, percebi que meus julgamentos precipitados foram mais do que contrários a realidade. Fernanda é sim uma pessoa legal, mas não merecedora do prêmio. Andressa que dizia ser sem graça, é uma menina de ouro. É um anjo por dentro e uma deusa por fora, assim como Dhomini a definiu. Por falar nele, é ainda o mesmo. Sincero, gentil, engraçado e gente boa. Quem dera se todas as pessoas, depois de 10 anos, continuassem com os mesmos princípios no coração. Natália é outra que voltou a mesma. Maroca nem se fala.
Aline e Ivan formam o primeiro paredão. Por mais que Aline com seu jeito Penha de ser seja irritante, acredito que o professor dance na terça-feira. O povo gosta de quem não tem papas na língua. E todos querem polêmica.
Eliéser é tão imbecil que ainda não entendo como a produção teve coragem de colocá-lo de volta. Talvez para gerar risos e piadas. Só para isso. Marien é menos chata do que eu pensava. Nasser é uma grande pessoa. Enxergo nele um futuro vencedor, que ganhará como prêmio um milhão e meio ou Andressa. E se for de sorte, os dois.

Impressionante como tudo muda em, apenas, alguns dias. É hora de prestar atenção. Afinal, é em um piscar de olhos que um jogo se transforma.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Casa de vidro - BBB 13

E hoje, no dia da estreia da 13º edição do Big Brother Brasil, foi a primeira vez que espiei os confinados na casa de vidro. E já sei o que pensar de cada um. Vamos aos trabalhos.

André: Um metido a malhado e playboy. Não quero que entre na casa, nem pensar.
Bernardo: Engraçado e brincalhão, se entrar na casa vai ir longe.
Kamilla: Patricinha e falante. Foi capaz de me irritar em apenas cinco minutos.
Kelly: Minha preferida. Bonita, simpática e trata bem o público.
Marcello: Alto astral, galã de novela. Me parece um amigão para quem está ao seu lado.

Observação: Eu, como boa observadora de futuros casais, faço minha aposta: Se Kelly e Marcello entrarem juntos na casa, farão um dos primeiros casais.

BBB começa hoje, vamos espiar!

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Julgando sem conhecer - BBB 13


Big Brother Brasil. O reality show mais visto em todo país. Há quem diga que não serve pra nada, mas insisto em defender esse programa que, para mim, não tem nada de negativo a não ser as mentes pequenas de quem o julga. Avaliar o comportamento humano e tentar entendê-lo não tem nada de errado.
2013. O BBB 13 está aí já que o mundo não acabou. Como de costume, é a época de criar o post Julgando sem conhecer. Gosto de classificar os participantes apenas pela foto de apresentação para ver se, realmente, estava certa ou errada em meus conceitos. Então, vamos lá!

Aline: A carioca de 31 anos me parece alto astral. É recepcionista, sorridente e não tem pose de ser algo mais. Acredito que vá longe.
André: Com 24 anos, o empresário de Vitória, Espírito Santo, poderia ser o galã do jogo. É bonito, mas falta algo. Posso estar errada, é bem normal isso acontecer. Mas, minha intuição, não cansa de repetir que ele não será o bonzinho na disputa.
Andressa: Esteticista. Bonita. Sem graça. Acredito que ela tentará ser amiga de todos, isso a manterá salva durante um tempo. Mas, quem é amigo de todo mundo, não é de ninguém.
Aslan: Gostei do nome. Os 32 anos do artista plástico devem cumprir minhas expectativas ao olhar para ele. Parece maduro, companheiro, justo. Espero não me enganar, tem cara de quem vai firme e forte até a reta final.
Fernanda: Será que a história do BBB 10 se repetirá e me pegarei torcendo para mais uma Fernanda? E é loira, novamente, por sinal. A advogada de 24 anos mora em BH e parece ser sincera e uma forte concorrente no jogo.
Ivan: O professor de inglês me parece alguém normal, sem algum atrativo e que, se não for engraçado, não resistirá muito tempo. Julgamento precipitado, mas errar é humano.
Marien: 25 anos, bailarina de flamenco, sorriso estranho. Não sei o que dizer mas, não gostei dela.
Nasser: O morador de Porto Alegre é vendedor e me parece divertido. Parece também cantor de rock , só que isso não importa. Se for longe no jogo vou ficar feliz só porquê, também, é gaúcho.

Para completar o time, dois participantes da casa de vidro entrarão na casa. E, para surpresa de muitos, seis ex-bbb’s também. Será que teremos nossa Ana do BBB 9 de novo? Nossa Talula? Ou quem sabe outra pessoa pelo qual muito torci? Vamos esperar. Vamos torcer. Fiquem de olho.  

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Todos os dias são especiais


A virada de um ano. Fogos. Brindes. Comemorações. Desejos. Promessas. Agradecimento. Renascimento. Renascer. Nascer um novo ciclo. São muitas as palavras quando o final de dezembro chega. A diferença de um segundo se torna muito para quem ignora horas de um dia normal. O último dia do ano nunca é definido como normal. É diferente, é especial. Mas, o que me preocupa é a mania das pessoas de parecerem boas durante as festas de final de ano e durante o resto dos dias permanecerem sem esperanças. É claro que a virada é importante. Acreditar e desejar boas coisas sempre vai ser relevante. Mas, com toda energia dessa época, meu desejo é que as pessoas priorizem o que dão importância nessa data, nos outros 334 dias de oportunidades para realizar. Feliz ano novo, mas, principalmente, feliz cada dia da nossa vida.

 

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

O verde do interior


Hoje caminhei por uma estrada cheia de pedras. E isso não foi uma coisa ruim. Pelo contrário, cada vez que percorro esse caminho, me sinto eu. De verdade. Como criança, como alguém livre e acostumada. Esse lugar é onde cresci, onde vivi, onde ainda moro. Às vezes. E, por mais que não seja sempre, é aqui que me sinto em casa. Minha casa, meu interior. Nada de barulho, nem de confusão. Olhar para trás ao escutar um barulho de carro é apenas um gesto de curiosidade, não de cuidado. A tranquilidade de me sentir segura é uma das maiores riquezas que tenho aqui. Ouvir o canto dos pássaros. Sentir o sol por entre as árvores. Árvores, natureza. Nada de calçadas que puxam os raios solares que chegam rapidamente, ignorando a camada protetora que deixou de nos cobrir. Pedras, terra e grama. Odeio o cinza das cidades grandes. Mas, preciso suportar. Por mais que ame o rural, é no urbano que terei de viver. É lá que fica a maior parte das notícias. É lá que vou precisar estar. Morar. Viver. Mas, às vezes. Porque sempre vou querer fugir para esse meu cantinho, onde não se tem shoppings, mas, se tem ar puro. O ar que eu quero. O ar que preciso. Cinza é a cor da destruição, verde me lembra esperança. E é de esperança que o mundo sobrevive. 

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Lágrimas saudosas


Escrito em maio de 2012. 


            Era um dia qualquer. Caminhava lentamente ao escutar barulhos intensos provocados pela brincadeira dos quero-queros. Enquanto avançava, percebi o rosto frágil de uma mulher de corpo estreito, de aparência quase quebrável. Ela se escondia, entre lágrimas, nos cabelos ruivos da amiga. Por algum motivo desconhecido, a moça tão pequena estava com expressão gigante de tristeza. Passei ao lado das duas e tentei entender a situação.
            Depois de sentar em um banco vermelho, peguei um livro de páginas amarelas devido aos anos de uso e continuei a observar, discretamente, o drama das amigas. Quando enxerguei os olhos tristes da que confortava, comecei a entender a intensidade das amizades. O sofrimento de alguém pode ser uma dor para si mesmo, desde que a pessoa se importe com a outra. E elas se importavam! Qualquer um seria capaz de enxergar preocupação naquele abraço.
            Seria um choro por uma morte de um amigo, parente ou conhecido? Uma briga de casal? Ou quem sabe uma despedida? Sei lá, quem entende lágrimas desconhecidas? Mas eu queria entender e mais: eu gostaria de poder ajudar.
            Foi então que enxerguei - como em uma imagem de cinema, quando o fundo desfocado, ganha vida - um casal aparentemente feliz, trocando beijos e carinhos. Era isso! O “cara” que ela amava, estava com outra. “Que idiota”, pensei. Mas tudo bem, mistério descoberto. Ponto para mim!
            Já concentrada nas páginas do meu livro, certa sobre o motivo do desespero da menina, levanto a cabeça e percebo alguém na minha frente, concentrado em observar a mesma cena que me prendeu atenção minutos atrás. Meu olhar volta para as garotas abraçadas. Elas continuavam do mesmo modo. Uma se derretia em lágrimas e a outra com olhar fixo e sem brilho. Quando uma voz surgiu: “Ela sente saudades da infância”. 
Depois de refletir por um segundo, continuei a escutar: “Existem pessoas que sentem saudades das estações, outras de algumas pessoas ou de um lugar, mas ela sonha em ser criança novamente”. O dono da voz terminou sua fala e foi até a frágil menina, lhe deu um beijo na boca e ajudou as duas a se levantarem antes de partirem juntos em direção ao carro preto, estacionado logo ali.
Fechei o livro e me dediquei a ouvir meu coração. Cada batida parecia um breve período para compreender a cena e as palavras que havia escutado. Aquela menina podia ter tido uma atitude estranha em relação ao comum, mas estava completamente certa. Meu Deus! O tempo voa. As coisas acontecem tão intensamente. Que saudade de tudo! As horas passam sem que a gente perceba que cada minuto é uma divisão entre o que somos agora e o que acabamos de deixar para trás. Nunca esqueça o que você foi um dia e nem se perca no caminho que te leva ao futuro. 

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Notas perdidas, rascunhos esquecidos


Quente, vazia e estranha ao quadrado. Já achava esta rodoviária diferente, e hoje ela estava para me surpreender. A quietude me agitava mais do que entediava e o riso da menina de vestido listrado era o único som humano no interior escuro onde ficava a bilheteria.
A mulher, responsável pela vendas, se dividia entre os poucos passageiros que a procuravam, a televisão que emitia, silenciosamente, um ruído que se identificava como a Rede Globo e um notebook na qual Adele era reproduzida. “Essa senhora tem bom gosto”, pensei.

E aí a crônica foi abandonada. Encontrei esse início de texto nas notas do meu celular. Fui escrever algo e não tinha espaço suficiente. Então fui passando, nota por nota, quando a li. Foi escrita em fevereiro desse ano, na rodoviária de Agudo, cidade onde fazia as aulas da auto-escola. Com certeza, tinha esquecido algum livro em casa. Quando isso acontece, meu celular sempre me salva. Não posso ler? Então, vou escrever. Já cansei de rascunhar ideias nas notas do aparelho. Ou nas últimas folhas do meu bloco de entrevistas rabiscadas e até mesmo no verso da lista do supermercado.
Não vou terminar essa crônica. Gosto de ter uma inspiração e terminar logo. Não sei onde ela iria parar. Que propósito tinha ou se ia abordar algum assunto polêmico. O ônibus deve ter chegado enquanto eu escrevia e as letras do meu texto foram abandonadas. Uma pena. Mas vou deixá-la assim. Que cada pessoa que ler esse texto, crie o próprio final para a crônica. Usem seus corações. Libertem a criatividade. Usem e abusem! Pensem, relatem, observem, sonhem, vivam! Eu tenho essa mania, não adianta! Quando estou sozinha, costumo conversar com a minha imaginação. 

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Porque todos moram no paraíso


Ser de uma cidade que tem o nome de Paraíso rende muitas piadinhas. E não digo isso pelo pequeno número de habitantes, mesmo que isso seja outro grande fator para gozações. Mas falo pelas inúmeras vezes que escutei: “então você mora no paraíso?”, “é o paraíso mesmo?”, “Eva e Adão moram lá?” e “paraíso realmente existe, como é lá?”. Não falo sobre isso por não gostar. Na verdade, não me importo. Mas semana passada, algo diferente aconteceu.
            Fui comprar minha passagem. Já sei o jeito que cada “moça dos bilhetes” atende. Escolhi a mais simpática. A loira dos cabelos esvoaçante. 30 e poucos anos. Olhos claros. “Pra onde moça?” Respondi: Paraíso! Foi então que ela entrou pra lista das pessoas brincalhonas em relação a isso. “Então você mora no paraíso?”.
            Observei seu jeito entusiasmado. Acredito que ela tenha se sentido esperta por falar sobre isso.  Sorri e confirmei. Fui sentar em um dos bancos da rodoviária. Estava ainda a guardar a passagem na carteira quando comecei a pensar: “O que as pessoas entendem sobre a palavra Paraíso?”
            Céu, jardim do Édem, lugar utópico. Há diversas definições. Até mesmo cidade, olha que ironia! Eu, como alguém que acredita muito em Deus, e prefere ter fé nas histórias que sempre me falaram a ter que buscar razão nessas questões, creio que exista sim o lugar tranquilo e bonito para nos receber depois da morte.
            Mas, por que falarem tanto disso? A vida já é curta para se preocupar com depois dela. Será que vale a pena achar definições? Não é mais simples se despreocupar? Pois é, eu penso assim. As pessoas se preocupam muito em tentar adivinhar e prever as coisas e se esquecem que estão vivas. Talvez, o verdadeiro paraíso, seja apenas viver plenamente. 

quinta-feira, 19 de julho de 2012

“Em cada esquina paro em cada olhar”


O senhor de boina preta caminhava lentamente pelo chão liso da rodoviária. Tão lento como passos de valsa. Enquanto dançava, olhava para os lados como se procurasse algo ou alguém. Sua expressão era séria até que a viu. Ela caminhava em sua direção, também dançando. Mas seus passos eram de discoteca, curtos e rápidos. Ela deveria ser uns dez anos mais nova que o senhor que a observava. De repente, quando seus olhos se cruzaram, um arrumar de casaco que combinava com os sapatos caramelos se deu e ele sorriu.
Eu poderia chutar, por alguns segundos, que aqueles dois eram casados. Quando, como em um piscar de olhos, ela passou reto pelo senhor e foi em direção ao embarque. Ele abaixou a cabeça como se falasse: “É claro que não era ela”. Gostaria de poder ter entendido realmente a situação. Ele parecia feliz em um momento e tão triste em outro.
Foi assim que parei pra pensar: quantas pessoas sofrem com a ausência de outras? Depois de ver seus olhos pelo vidro da lancheria na qual estava sentada a observar a cena, pude entender. Ele tinha olhos de saudade. Alguém muito especial, provavelmente o amor de sua vida, tinha o deixado. Por vontade própria ou pela natureza, não sei. A única certeza que tive, era que ele jamais desistiria de tentar enxergar nas outras pessoas, traços e jeitos de quem um dia amou.

Ando por aí querendo te encontrar 
Em cada esquina paro em cada olhar 
Deixo a tristeza e trago a esperança em seu lugar
Palavras ao vento - Marisa Monte

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Do que mais gosto nas férias


Gosto do cheirinho de tranquilidade. Sim, tranquilidade tem cheiro. Sabe aquele momento que você deita em uma rede, olha pro céu e ao observar uma nuvem pensa que não precisa se preocupar com nada? Férias são mágicas, como diria minha amiga Andressa, por isso. É bom levantar meio dia. Ler por prazer e não obrigação. Assistir três filmes por dia. Vegetar em cima da cama. Comer mil coisas sem pressa. Navegar na internet sem ter abas cotidianas abertas. Cochilar no meio da tarde. Todas essas coisas legais e não tão úteis. O incrível das férias é que podemos simplesmente respirar. Nada de aspirar preocupações e assoprar prazos. Férias é quando vamos dormir sem hora pra acordar e, principalmente, sem ter o que se estressar. Nas férias me sinto livre, mas no resto do ano me sinto útil. Querendo ou não, as duas coisas são importantes. Deve ser por isso minha paixão pela vida. Meu amor por cada hora das 24 que o dia possui.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Doce como o chocolate

Era pra ser uma segunda-feira normal. Daquelas irritantes costumeiras. Mas não, algo me deixava extremamente feliz. Nem mesmo os sintomas mensais que toda mulher tem, era capaz de me desanimar. Uma manhã gostosa onde quase chorei de rir na aula, com meus amados comunicadores. Uma tarde com uma das pessoas mais importantens pra mim, com direito a confissões, novidades e um morango com chocolate. Ai, chocolate... Já fazem dias que penso muito em chocolate. Talvez seja o clima, talvez a fase, mas talvez também seja, a doçura da minha situação atual, refletida em meu paladar. Me sinto doce, me sinto diferente, mas nunca estive tão feliz como agora.

sábado, 30 de junho de 2012

Quando um passado feliz é percebido


12h26min. Como em raras vezes, o ônibus chegava mais cedo. Quatro minutos antes do previsto e nove antes do normal. Peguei minha mala cor-de-rosa e entreguei pro cobrador que já nem me pergunta mais para onde vou. Afinal, já faz um ano e meio. Mala guardada, agora era só encarar uma pequena e lerda fila até a porta do ônibus. Desatenta em relação às coisas que me rodeavam, provavelmente pensando no final de semana, de repente minha atenção fixou-se na senhora de cabelo armado e sorriso largo que descia rápido demais do ônibus para ter a idade que eu acreditava que tinha. Os fios de seu cabelo loiro esbranquiçado contrastavam com sua roupa escura.
            Vi seus olhos brilharem ao encontrar algo na minha direção. Antes mesmo de eu conseguir virar para tentar descobrir mais um pouco a respeito daquela felicidade gostosa, uma pequena senhora de cabelos negros passou por mim. Seus passos curtos eram recompensados por uma rapidez tão adolescente que me confundia. Tenho certeza que se ela tivesse algo em mãos, teria atirado para qualquer lado ao encontrar a dona dos cabelos brancos e sorriso largo. As duas se abraçaram de um modo que eu, mesmo sem saber ao certo a ligação que possuem, sorrisse feito uma boba. Um abraço tão amigável, um sentimento de irmandade que poderia ser sentido até mesmo pelo coração mais frio e inconstante. 
            Enquanto a loira alta abraçava a morena baixa, fiquei as observando e quase como num filme, consegui imaginar as duas, cinquenta anos mais novas, se abraçando ao passarem no vestibular ou comemorando o aniversário de 15 anos. Sei lá, mesmo sem saber, eu sentia que aquelas duas idosas de almas tão jovens, viveram muito tempo juntas quando adolescentes. Podia perceber que aquele carinho perceptível era fruto de anos de convivência. As duas se conheciam de verdade. No sentido de saber tudo à respeito mesmo. Com certeza, cada uma delas sabe o primeiro amor que a outra teve. O primeiro beijo que levou e as lutas que passou naquela fase divertida e confusa que chamamos de adolescência.
            Aquela irmandade percebida, me fez pensar nas minhas amigas e no quanto as quero perto de mim no meu futuro. Quero ter ao meu lado, quando estiver judiada pelos anos, pessoas que saibam o que passei e me entendam como ninguém. É uma sensação rara perceber afetos que sobrevivem há uma vida toda.  E perceber isso, me dá ainda mais vontade de cuidar daqueles que tenho ao meu lado e guardo em meu coração.
            As duas ainda se abraçavam, balançando-se para os lados, quando escutei uma voz agradável pedir: “Sua passagem, moça”. Tirei os olhos da cena das amigas saudosas, e virei na direção de onde o som vinha. Enxerguei a pupila do senhor que me pedia o bilhete, segurado firmemente pelas minhas mãos. O entreguei, ele fez o que tinha que fazer, e disse: “Paraíso então... Vai com Deus, minha menina”. Eu agradeci e pedi em oração para que não apenas eu fosse com Deus, mas também ele, as senhoras que tiveram um passado feliz e todos aqueles que cuidam das relações do presente pensando nas mesmas no futuro.